A ressecção segmentar intestinal é uma das técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas no tratamento da endometriose intestinal profunda. O procedimento consiste na retirada de um segmento do intestino comprometido pela doença, seguida da reconstrução da continuidade intestinal por meio de uma anastomose.

Entretanto, nem toda endometriose intestinal precisa de cirurgia e, entre as pacientes que apresentam indicação cirúrgica, nem todas necessitam de ressecção segmentar. Dependendo da profundidade, localização e extensão da doença, podem ser consideradas técnicas conservadoras, como o shaving e a ressecção discoide.

Por isso, a escolha da técnica deve ser individualizada. O objetivo não é realizar a cirurgia intestinal mais extensa possível, mas encontrar a estratégia capaz de tratar adequadamente a doença preservando, sempre que possível, a função intestinal, urinária, sexual e reprodutiva.

O que é a ressecção segmentar para endometriose intestinal?

A endometriose intestinal ocorre quando lesões de endometriose comprometem estruturas do trato gastrointestinal. O reto e o sigmoide estão entre as localizações mais frequentemente envolvidas na doença colorretal profunda.

Na ressecção segmentar, um segmento do intestino que contém a área comprometida é retirado. Depois da remoção, as duas extremidades intestinais são reconectadas por uma anastomose.

Trata-se, portanto, de uma operação diferente do shaving, no qual se busca remover a doença da superfície e das camadas externas do intestino preservando sua continuidade, e da ressecção discoide, na qual uma porção localizada da parede intestinal é removida sem retirar um segmento completo do intestino.

Quando a ressecção segmentar pode ser indicada?

Não existe uma regra universal baseada exclusivamente no diâmetro do nódulo. A decisão é construída a partir de diferentes características anatômicas e clínicas.

Entre as situações que podem favorecer a consideração de uma ressecção segmentar estão doença intestinal extensa, infiltração profunda, estenose significativa, comprometimento de um segmento que não possa ser adequadamente tratado por técnica conservadora e presença de múltiplas lesões intestinais em determinadas distribuições anatômicas.

Isso não significa que a identificação de uma dessas características determine automaticamente a cirurgia. O planejamento precisa considerar também sintomas, tratamentos prévios, idade, desejo reprodutivo, cirurgias anteriores, localização das lesões e relação da doença com estruturas como vagina, ureteres, bexiga e plexos nervosos pélvicos.

Ponto importante: tamanho do nódulo isoladamente não deve ser interpretado como uma “indicação automática” de ressecção segmentar. O contexto anatômico e funcional é fundamental.

Shaving, ressecção discoide ou ressecção segmentar?

As três estratégias fazem parte do tratamento cirúrgico da endometriose intestinal, mas não são intercambiáveis em todas as situações.

Shaving

Busca remover o tecido endometriótico preservando a continuidade intestinal. Pode ser apropriado quando a anatomia permite a excisão adequada sem uma ressecção de espessura total do intestino.

Ressecção segmentar

Retira um segmento completo do intestino e posteriormente reconecta as extremidades. Pode ser necessária quando uma abordagem localizada ou superficial não é adequada para determinada anatomia.

A comparação entre essas técnicas não deve ser reduzida à ideia de que uma é universalmente “melhor” do que as outras. A literatura apresenta diferenças em complicações, recorrência e resultados funcionais, mas também existe importante heterogeneidade entre as pacientes selecionadas para cada procedimento.

Isso é particularmente relevante porque pacientes submetidas à ressecção segmentar frequentemente apresentam doença diferente, mais extensa ou anatomicamente mais complexa do que aquelas tratadas por técnicas conservadoras.

Como é realizada a ressecção segmentar?

A operação é realizada sob anestesia e exige planejamento detalhado. A abordagem minimamente invasiva pode ser realizada por videolaparoscopia ou, em casos selecionados e de acordo com a disponibilidade e planejamento cirúrgico, com plataforma robótica.

A primeira etapa é compreender toda a extensão da doença pélvica. A endometriose profunda não necessariamente respeita limites entre órgãos. Uma paciente com nódulo intestinal pode apresentar simultaneamente doença em ligamentos uterossacros, vagina, ovários, paramétrios, ureteres ou outras estruturas.

Durante a dissecção, o intestino é cuidadosamente separado das estruturas adjacentes. A anatomia dos ureteres e demais estruturas retroperitoneais precisa ser reconhecida e preservada. Após a definição do segmento comprometido, o intestino é seccionado de acordo com o planejamento cirúrgico.

O segmento contendo a doença é retirado e a continuidade do trato intestinal é reconstruída por meio de anastomose. Dependendo da localização e da técnica empregada, podem ser utilizados dispositivos de grampeamento cirúrgico.

A integridade da anastomose pode ser avaliada intraoperatoriamente por testes específicos. Outros procedimentos necessários para o tratamento da endometriose pélvica podem ser realizados durante a mesma cirurgia, conforme o planejamento.

Por que o planejamento antes da cirurgia é tão importante?

Uma cirurgia intestinal por endometriose não deve começar pela decisão de “retirar um pedaço do intestino”. O planejamento começa antes, tentando mapear a doença e compreender quais órgãos podem estar envolvidos.

A ultrassonografia transvaginal especializada e a ressonância magnética, quando adequadamente realizadas e interpretadas, podem fornecer informações importantes sobre localização, profundidade e extensão da endometriose profunda.

Essas informações auxiliam na discussão pré-operatória, na composição da equipe e na preparação para diferentes possibilidades técnicas.

A ESHRE recomenda que pacientes com endometriose profunda sejam encaminhadas a centros ou equipes com expertise e que sejam informadas sobre riscos, benefícios e possíveis efeitos de longo prazo da cirurgia.

Quais são os riscos da ressecção segmentar?

Como qualquer cirurgia colorretal, a ressecção segmentar apresenta riscos. A magnitude desses riscos varia conforme localização da anastomose, extensão da cirurgia, características da paciente, procedimentos associados e experiência da equipe.

Entre as complicações possíveis estão:

  • vazamento ou deiscência da anastomose;
  • fístula retovaginal;
  • abscesso ou infecção pélvica;
  • sangramento;
  • estenose da anastomose;
  • alterações temporárias ou persistentes da função intestinal;
  • alterações urinárias;
  • lesões de estruturas adjacentes;
  • necessidade de reintervenção em situações específicas;
  • necessidade de estoma temporário em casos selecionados.

Revisões sistemáticas comparando técnicas mostram que abordagens conservadoras podem apresentar menor frequência de determinadas complicações quando comparadas à ressecção segmentar. Entretanto, esses dados precisam ser interpretados considerando diferenças importantes na anatomia e na gravidade da doença entre os grupos.

Quais são os resultados e o risco de recorrência?

Estudos observacionais e revisões sistemáticas mostram melhora de dor e qualidade de vida após tratamento cirúrgico da endometriose intestinal em pacientes adequadamente selecionadas. Isso, porém, não significa ausência de risco de recorrência ou garantia de desaparecimento de todos os sintomas.

Uma coorte retrospectiva publicada em 2019 comparou pacientes submetidas a ressecção segmentar, ressecção discoide e shaving. Após acompanhamento de aproximadamente 3 a 4 anos, os autores encontraram recorrência de 1,3% no grupo de ressecção segmentar, 5% no grupo de ressecção discoide e 12,7% no grupo de shaving.

Entretanto, o mesmo estudo encontrou maior frequência de complicações pós-operatórias graves no grupo de ressecção segmentar: 23,5%, comparada a 5% na ressecção discoide e 0% no shaving.

Esses números pertencem a uma coorte específica e não devem ser utilizados como previsão individual. Diferentes estudos apresentam populações, critérios de seleção, técnicas, experiência cirúrgica e definições de recorrência distintas.

Uma revisão sistemática e meta-análise sobre recorrência colorretal encontrou maior risco de recorrência histologicamente comprovada após shaving quando comparado à ressecção segmentar ou discoide. Por outro lado, revisões sobre complicações mostram vantagens das técnicas conservadoras para determinados desfechos.

Portanto, existe um equilíbrio clínico importante: radicalidade anatômica e preservação funcional não devem ser avaliadas isoladamente.

Como fica a função intestinal depois da cirurgia?

A função intestinal após uma cirurgia por endometriose depende de diversos fatores, incluindo a função existente antes da operação, localização da doença, altura da anastomose, extensão da dissecção pélvica e envolvimento de estruturas nervosas.

Algumas pacientes apresentam melhora de sintomas como dor evacuatória e alterações intestinais relacionadas ao ciclo menstrual. Outras podem apresentar mudanças no hábito intestinal durante o período de adaptação.

Meta-análises que compararam cirurgia conservadora com ressecção segmentar encontraram diferenças em alguns desfechos funcionais, mas a qualidade da evidência é limitada. Por isso, não é adequado prometer que uma determinada técnica produzirá sempre melhor função intestinal.

Essa discussão deve fazer parte do consentimento informado, especialmente quando a doença envolve reto baixo ou exige dissecção pélvica extensa.

Ressecção intestinal melhora a fertilidade?

Endometriose e infertilidade possuem uma relação complexa. A retirada da doença intestinal não deve ser apresentada como garantia de gravidez.

Para pacientes que desejam engravidar, a decisão cirúrgica deve considerar idade, reserva ovariana, tempo de infertilidade, presença de outros fatores femininos ou masculinos, tratamentos prévios, endometriomas e eventual necessidade de reprodução assistida.

Em determinadas pacientes, o tratamento cirúrgico faz parte de uma estratégia reprodutiva mais ampla. Em outras, pode ser mais apropriado priorizar reprodução assistida ou outra sequência terapêutica.

Leia também: cirurgia e infertilidade .

Formação em cirurgia da endometriose profunda

Em 2025, o Dr. Gustavo Pizani realizou período de aperfeiçoamento no IFEMENDO, em Bordeaux, França, em ambiente dedicado ao tratamento da endometriose profunda, incluindo experiência com procedimentos envolvendo o trato colorretal.

Essa etapa de formação incluiu contato com a equipe do Prof. Horace Roman, referência internacional na investigação e tratamento cirúrgico da endometriose profunda.

A documentação dessa e de outras atividades de formação pode ser consultada na página de credenciais e treinamentos do Dr. Gustavo Pizani .

Perguntas frequentes

FAQ sobre ressecção segmentar e endometriose intestinal

Toda endometriose intestinal precisa de cirurgia?

Não. A indicação depende dos sintomas, extensão da doença, tratamentos anteriores, objetivos da paciente e características clínicas. A presença de uma lesão intestinal isoladamente não determina necessidade de cirurgia.

Toda cirurgia de endometriose intestinal precisa retirar um pedaço do intestino?

Não. Dependendo da anatomia, podem ser utilizadas técnicas como shaving ou ressecção discoide, que preservam maior extensão intestinal.

O que significa ressecção segmentar?

Significa retirar um segmento do intestino que contém a área comprometida e depois reconstruir a continuidade intestinal através de uma anastomose.

Qual a diferença entre shaving e ressecção segmentar?

No shaving busca-se remover a doença preservando a continuidade intestinal. Na ressecção segmentar, um segmento completo do intestino é removido e suas extremidades são reconectadas.

Qual a diferença entre ressecção discoide e segmentar?

Na discoide é retirada uma área localizada da parede intestinal. Na segmentar é retirado um segmento completo do intestino. A escolha depende da anatomia da doença.

Nódulo intestinal maior que 4 cm sempre precisa de ressecção segmentar?

Não. Tamanho é apenas um dos elementos do planejamento. Profundidade, localização, estenose, multifocalidade e relação com outras estruturas também precisam ser consideradas.

A endometriose pode obstruir o intestino?

A endometriose profunda pode produzir infiltração e fibrose capazes de reduzir o calibre intestinal. Obstrução importante não ocorre em todas as pacientes, mas estenose é um dos elementos relevantes para o planejamento cirúrgico.

Quais partes do intestino são mais afetadas?

Reto e sigmoide estão entre as localizações mais frequentes da endometriose colorretal profunda. Outras áreas intestinais também podem ser comprometidas.

Colonoscopia normal exclui endometriose intestinal?

Não. A endometriose intestinal frequentemente compromete as camadas externas da parede e pode não atingir a mucosa observada pela colonoscopia. Por isso, uma colonoscopia normal não exclui endometriose intestinal.

Qual exame ajuda a identificar endometriose intestinal?

Ultrassonografia transvaginal especializada e ressonância magnética podem ser importantes no mapeamento da endometriose profunda. O exame apropriado depende do contexto clínico.

A ressecção segmentar pode ser feita por videolaparoscopia?

Sim. A abordagem minimamente invasiva por videolaparoscopia pode ser utilizada em casos selecionados de endometriose colorretal.

Pode ser feita por cirurgia robótica?

A plataforma robótica pode ser utilizada em determinadas cirurgias de endometriose profunda. A escolha da plataforma não substitui a necessidade de uma indicação cirúrgica e planejamento anatômico adequados.

O que é uma anastomose intestinal?

É a união das extremidades do intestino depois que o segmento planejado é removido, restabelecendo a continuidade do trânsito intestinal.

Existe risco de vazamento da anastomose?

Sim. Vazamento ou deiscência anastomótica é uma complicação reconhecida da cirurgia colorretal. O risco individual depende de diversos fatores e deve ser discutido antes da cirurgia.

Pode ser necessária uma ileostomia?

Em situações selecionadas pode ser considerado um estoma temporário de proteção. Isso não é necessário em todas as ressecções e depende do contexto cirúrgico.

A bolsa intestinal, quando necessária, é sempre definitiva?

Não. Quando um estoma de proteção é utilizado nesse contexto, frequentemente é planejado como temporário. Cada situação, entretanto, deve ser discutida individualmente.

A cirurgia pode alterar o funcionamento do intestino?

Sim. Mudanças no hábito intestinal podem ocorrer durante a recuperação e alguns efeitos funcionais podem persistir. Localização da cirurgia, extensão da dissecção e função intestinal prévia influenciam esse resultado.

A ressecção segmentar elimina definitivamente a endometriose?

Não é adequado prometer cura definitiva. A cirurgia pode remover a doença identificada e tratável, mas endometriose é uma condição complexa e sintomas ou doença podem persistir ou recorrer.

A ressecção segmentar apresenta menos recorrência?

Algumas análises encontraram menor recorrência após ressecção segmentar ou discoide em comparação ao shaving. Entretanto, os estudos são heterogêneos e isso deve ser ponderado contra riscos cirúrgicos e resultados funcionais.

A técnica mais radical é sempre a melhor?

Não. O objetivo é escolher a extensão cirúrgica apropriada para cada caso. Remover mais tecido não significa automaticamente produzir melhor resultado clínico.

É possível engravidar depois de uma cirurgia intestinal por endometriose?

Sim, existem pacientes que engravidam após cirurgia, mas a probabilidade individual depende de muitos fatores além da endometriose intestinal, incluindo idade, reserva ovariana, trompas, sêmen e outros fatores de fertilidade.

A cirurgia deve ser feita antes da fertilização in vitro?

Não existe uma sequência universal. A decisão entre cirurgia, tentativa espontânea e reprodução assistida deve considerar sintomas, idade, reserva ovariana, anatomia, tratamentos anteriores e outros fatores de infertilidade.

A cirurgia pode envolver outros órgãos além do intestino?

Sim. Endometriose profunda pode envolver simultaneamente ovários, vagina, ureteres, bexiga, ligamentos e outras estruturas pélvicas. Por isso, o mapeamento pré-operatório é importante.

É importante uma equipe com experiência em endometriose profunda?

Sim. Diretrizes internacionais recomendam encaminhamento de pacientes com endometriose profunda para centros ou equipes com expertise, especialmente quando há possibilidade de procedimentos complexos.

Como decidir qual técnica intestinal é adequada?

A decisão deve integrar sintomas, exames de imagem, localização, profundidade, extensão e número de lesões, grau de estenose, cirurgias anteriores, fertilidade e objetivos da paciente.

Evidência científica

Referências internacionais

ESHRE • 2022

ESHRE Guideline: Endometriosis

Diretriz internacional sobre diagnóstico e tratamento da endometriose, incluindo endometriose profunda e tratamento cirúrgico.

Consultar diretriz
ESGE • ESHRE • WES

Recommendations for the surgical treatment of deep endometriosis

Recomendações técnicas internacionais sobre cirurgia da endometriose profunda, incluindo comprometimento intestinal.

Consultar publicação
JMIG • 2020

Recurrence after Surgery for Colorectal Endometriosis

Revisão sistemática e meta-análise comparando recorrência após shaving, ressecção discoide e ressecção segmentar.

Consultar no PubMed
European Xtramile Centre • 2019

Post-operative complications and recurrence after bowel endometriosis surgery

Estudo comparativo das três técnicas cirúrgicas utilizado para contextualizar os números de complicação e recorrência apresentados neste artigo.

Consultar no PubMed
JMIG • 2021

Conservative vs Radical Bowel Surgery for Endometriosis

Revisão sistemática comparando complicações das técnicas conservadoras com a ressecção segmentar.

Consultar no PubMed
JMIG • 2023

Conservative versus Radical Surgery: Bowel Function

Meta-análise avaliando desfechos funcionais intestinais após cirurgia conservadora e ressecção segmentar para endometriose profunda.

Consultar no PubMed

As evidências disponíveis apresentam heterogeneidade quanto à seleção das pacientes, anatomia das lesões, técnica cirúrgica e definição dos desfechos. Os resultados de estudos populacionais não substituem a avaliação individual.

Ressecção segmentar é uma ferramenta, não uma regra

A ressecção segmentar tem papel importante no tratamento de determinadas formas de endometriose intestinal profunda, especialmente quando a anatomia da doença não permite tratamento adequado com técnicas mais conservadoras.

Entretanto, a presença de endometriose intestinal não significa automaticamente necessidade de retirar um segmento do intestino. Shaving, ressecção discoide e segmentar são estratégias diferentes que devem ser escolhidas de acordo com cada caso.

Um planejamento adequado procura equilibrar tratamento da doença, controle dos sintomas, segurança cirúrgica e preservação das funções intestinal, urinária, sexual e reprodutiva.

Para uma visão mais ampla sobre o tema, consulte também Endometriose Intestinal: uma visão geral e o guia sobre endometriose intestinal .

Experiência internacional em endometriose profunda com Dr. Horace Roman

Em 2025, tive a oportunidade de aprofundar minha formação no tratamento cirúrgico da endometriose profunda em Bordeaux, França, no contexto do IFEMENDO — Institut Franco-Européen Multidisciplinaire d'Endométriose.

Durante esse período de aperfeiçoamento, acompanhei o Prof. Horace Roman e sua equipe, com contato direto com a avaliação, o planejamento e o tratamento cirúrgico de pacientes com formas complexas de endometriose, incluindo casos com comprometimento colorretal.

Dr. Gustavo Pizani com Prof. Horace Roman durante período de aperfeiçoamento em endometriose no IFEMENDO, em Bordeaux, França
Dr. Gustavo Pizani com Prof. Horace Roman durante período de aperfeiçoamento em cirurgia da endometriose profunda no IFEMENDO, em Bordeaux, França.

Por que a experiência em endometriose intestinal é relevante?

A endometriose profunda pode atingir estruturas localizadas além dos órgãos ginecológicos. Quando existe comprometimento intestinal, especialmente do reto e do sigmoide, o planejamento cirúrgico exige compreensão detalhada da anatomia pélvica, da profundidade da infiltração, da extensão da lesão e de sua relação com estruturas adjacentes.

Nem toda paciente com endometriose intestinal precisa de ressecção intestinal. A estratégia deve ser individualizada de acordo com os sintomas, os achados dos exames de imagem, a localização e as características da doença, o desejo reprodutivo, tratamentos anteriores e os objetivos da paciente.

Quando uma abordagem cirúrgica é indicada, diferentes técnicas podem ser consideradas. Dependendo das características da lesão, o tratamento pode envolver uma abordagem mais superficial, uma ressecção discoide ou, em situações selecionadas, uma ressecção colorretal segmentar .

Dr. Gustavo Pizani durante treinamento cirúrgico em endometriose profunda com a equipe do Prof. Horace Roman em Bordeaux
Experiência cirúrgica durante o período de aperfeiçoamento em endometriose profunda em Bordeaux, com contato com estratégias utilizadas no tratamento de casos complexos.

Formação internacional aplicada ao planejamento cirúrgico

Um dos aspectos mais relevantes desse período de formação foi aprofundar a compreensão de que o tratamento da endometriose profunda não deve ser definido apenas pela presença de uma lesão em determinado órgão. O planejamento precisa considerar a doença como um conjunto de alterações anatômicas e funcionais que podem envolver diferentes compartimentos da pelve.

Isso é particularmente importante na endometriose intestinal. A escolha da técnica não deve ser reduzida a uma comparação simples entre shaving, ressecção discoide e ressecção segmentar. Cada estratégia possui indicações, limitações e potenciais complicações, e a decisão depende da anatomia encontrada e do contexto clínico individual.

Por esse motivo, a avaliação pré-operatória e o estudo adequado dos exames de imagem são etapas importantes antes de uma cirurgia complexa. Quando existe suspeita de comprometimento de outros órgãos, o planejamento também pode envolver profissionais de outras especialidades.

Aperfeiçoamento contínuo no tratamento da endometriose

O período em Bordeaux integra uma trajetória de educação médica continuada voltada à cirurgia ginecológica minimamente invasiva, à anatomia pélvica e retroperitoneal e ao tratamento da endometriose profunda.

Dr. Gustavo Pizani durante aperfeiçoamento internacional em endometriose profunda na França
Aperfeiçoamento internacional do Dr. Gustavo Pizani em endometriose profunda na França, como parte de sua formação continuada em cirurgia ginecológica minimamente invasiva.

Essa formação complementar se conecta à atuação em endometriose intestinal , endometriose profunda e cirurgia ginecológica de maior complexidade. O conhecimento adquirido em centros dedicados à doença contribui para uma avaliação mais detalhada das possibilidades cirúrgicas e, principalmente, de quando cada uma delas pode ou não ser necessária.

Os documentos relacionados a essa etapa de formação e a outros treinamentos realizados pelo Dr. Gustavo Pizani podem ser consultados na página de credenciais e formação profissional .

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Revisão médica

Artigo revisado por Dr. Gustavo Pizani , ginecologista com atuação em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, cirurgia robótica, videolaparoscopia avançada e tratamento cirúrgico da endometriose.

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Cirurgia ginecológica minimamente invasiva

CRM-MG 86.695 RQE 58.379

Fellowship internacional em endometriose profunda
Treinamento em tecnologia da Vinci Xi
Capacitação tecnológica pela Intuitive Surgical
Aperfeiçoamento internacional em anatomia cirúrgica avançada
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