Prevenção Primária da Endometriose
A prevenção primária da endometriose tem como objetivo proteger mulheres saudáveis e assintomáticas contra o desenvolvimento da doença. No entanto, devido ao desconhecimento da causa exata da endometriose, as possibilidades de prevenção ainda são limitadas.
Um dos fatores de risco identificados é a presença de parentes de primeiro grau com diagnóstico da doença, embora a origem genética específica dessa associação permaneça desconhecida. Isso gera dúvidas entre pacientes e familiares sobre possíveis estratégias de prevenção.
Existe uma forma de prevenção da Endometriose?
Fatores de Risco e Prevenção
Estudos epidemiológicos sugerem que certos fatores aumentam o risco de desenvolver endometriose, incluindo:
- Menarca precoce;
- Ciclos menstruais curtos;
- Fluxo menstrual intenso e prolongado;
- Baixo índice de massa corporal;
- Reduzida gravidade e paridade.
Em relação à exposição ambiental, estudos não conseguiram estabelecer conclusões sólidas sobre o impacto de poluentes como dioxinas e bifenilos policlorados no risco de endometriose (Cano-Sancho et al., 2019). A alergia a níquel também tem sido associada a um aumento do risco (Yuk et al., 2015).
Influência da Dieta
Embora não haja evidência robusta ligando dieta à endometriose, mulheres com a doença tendem a consumir:
- Menos vegetais, frutas (especialmente cítricas) e laticínios;
- Menos alimentos ricos em vitamina D e ácidos graxos ômega-3;
- Mais carne vermelha, café e gorduras trans.
Em uma grande coorte prospectiva, constatou-se que o aumento da ingestão de ácidos graxos ômega-3 estava associado a menor risco de endometriose, enquanto o consumo elevado de gorduras trans aumentava esse risco (Hansen e Knudsen, 2013; Missmer et al., 2010).
Níveis de Vitamina D e Consumo de Álcool
Mulheres com endometriose apresentam níveis mais baixos de vitamina D em comparação às sem a doença, e níveis mais baixos estão relacionados à maior gravidade da endometriose (Qiu et al., 2020).
Além disso, dados recentes sugerem que o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de endometriose (Parazzini et al., 2013a), enquanto o tabagismo não apresentou relação significativa (Bravi et al., 2014).
Atividade Física
Embora a atividade física não pareça reduzir diretamente o risco de desenvolver endometriose, pode desempenhar um papel positivo no alívio da dor associada à doença (Ricci et al., 2016).
Uso de Contraceptivos Hormonais
Estudos indicam que o uso atual de contraceptivos orais pode ter um efeito protetor contra o desenvolvimento de endometriose. No entanto, esse efeito não foi observado em mulheres que usaram contraceptivos apenas no passado ou ocasionalmente (Vercellini et al., 2011).
É importante destacar que o efeito protetor pode ser explicado pelo adiamento da avaliação cirúrgica em decorrência da supressão temporária da dor, e não por uma real redução do risco da doença.
Recomendações Atuais
Estilo de Vida Saudável
Embora não haja evidências diretas de que hábitos saudáveis previnam a endometriose, as mulheres podem ser aconselhadas a adotar:
- Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e fontes de vitamina D e ômega-3;
- Redução no consumo de álcool;
- Prática regular de atividade física.
Essas medidas contribuem para a melhoria da saúde geral e podem, indiretamente, reduzir o risco de endometriose.
Uso de Contraceptivos para Prevenção
A utilidade dos contraceptivos hormonais na prevenção primária da endometriose é incerta. Ainda não é possível confirmar se o uso atual de contraceptivos realmente protege contra a doença ou apenas adia a manifestação de sintomas, dificultando a detecção precoce.
Recomendações:
- Incentivar a adoção de um estilo de vida saudável.
- Reconhecer que o papel dos contraceptivos hormonais na prevenção primária, mas que ainda necessitam mais estudos que confirmem esse fator de proteção.
Embora as medidas de estilo de vida sejam benéficas para a saúde geral, a falta de compreensão das causas da endometriose torna incerto o impacto de qualquer intervenção específica na sua prevenção.
Quais fatores genéticos estão relacionados com Endometriose?
Embora meta-análises de estudos de associação genômica ampla (GWAS) tenham identificado alguns polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) associados à endometriose (Sapkota et al., 2015; Sapkota et al., 2017), até o momento não existem evidências robustas que justifiquem a recomendação de testes genéticos para avaliar o risco de desenvolvimento da doença.
A realização de testes genéticos em mulheres com suspeita ou diagnóstico confirmado de endometriose deve ser restrita a contextos de pesquisa científica.
Quanto ao uso de marcadores genéticos para identificar populações de alto risco de desenvolver endometriose, as evidências disponíveis são provenientes de revisões sistemáticas e meta-análises de estudos epidemiológicos/observacionais e estudos de associação genômica ampla (GWAS).
No estágio atual, nenhum teste genético pode ser considerado confiável para o diagnóstico da endometriose. Dessa forma, o uso de testes genéticos para identificar indivíduos com risco aumentado deve permanecer restrito a ambientes de pesquisa e não ser utilizado na prática clínica rotineira.



