Endometriose Ovariana: o que é, como diagnosticar e quando operar

A endometriose ovariana, também chamada de endometrioma, é uma manifestação específica da endometriose em que o tecido semelhante ao endométrio se implanta sobre ou dentro dos ovários, formando cistos com conteúdo escuro e espesso, conhecidos como “cistos de chocolate”.

Endometriose ovariana: 7 informações importantes

Esses cistos se desenvolvem a partir da inflamação induzida pela presença do tecido endometrial ectópico. O ovário é um dos locais mais frequentes de acometimento da doença, especialmente em mulheres em idade fértil.

Qual é a incidência da endometriose ovariana?

A endometriose acomete de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo que cerca de 17% a 44% dessas mulheres apresentarão endometriomas em algum momento. A prevalência chega a 35%–40% entre mulheres com infertilidade.

Como se apresenta a endometriose ovariana?

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor pélvica crônica
  • Dismenorreia (cólica menstrual intensa)
  • Dispareunia (dor nas relações sexuais)
  • Infertilidade
  • Achado incidental de cisto ovariano

Em alguns casos, a mulher pode ser assintomática.

Formas de diagnóstico

O diagnóstico é baseado na clínica, exame físico e imagem:

  • Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal: exame de primeira linha com alta sensibilidade.
  • Ressonância magnética de pelve: indicada para mapeamento detalhado ou dúvidas diagnósticas.
  • CA-125: marcador inespecífico, pode estar elevado.
  • Videolaparoscopia: padrão-ouro, reservada para casos selecionados.

Relação entre endometriomas e infertilidade

Endometriomas podem impactar a fertilidade por mecanismos como:

  • Inflamação pélvica crônica
  • Alteração na qualidade dos óvulos
  • Comprometimento da anatomia pélvica
  • Redução da reserva ovariana

Tratamento dos endometriomas

Tratamento clínico

É fundamental entender que não são todas pacientes que irão se beneficiar do tratamento clínico para tratamento dos endometriomas ovarianos, existem critérios que são utilizados de forma individualizada e por isso junto com a avaliação médica é direcionado a melhor forma de condução e em alguns casos o tratamento clínico pode ser o utilizado e assim poderemos utilizar algumas terapias citadas abaixo:

  • Anticoncepcionais combinados contínuos
  • Progestagênios
  • Análogos do GnRH

O objetivo é o controle da dor e estabilização da doença, sem impacto direto na fertilidade.

Tratamento cirúrgico

Indicado em casos selecionados. Realizado por videolaparoscopia com retirada da cápsula cística (cistectomia), preservando o máximo da reserva ovariana.

Com o avanço das tecnologias também dispomos de tratamentos com laser (Plasma JET) e também a escleroterapia que oferecem uma menor agressão ao ovário contribuindo para a perspectiva reprodutiva da paciente, uma vez que a cirurgia poderia, em alguns casos, danificar mais a reserva folicular da paciente, entretanto é importante saber que cada caso precisa ser tratado de forma individualizada e por isso a abordagem não é padronizada para todas as pacientes.

O que esperar em pacientes com endometriomas?

O manejo deve ser individualizado:

  • Endometriomas pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados
  • Pacientes sintomáticas geralmente se beneficiam do tratamento
  • A fertilidade deve ser priorizada quando houver desejo reprodutivo

Quando operar endometriomas ovarianos?

  • Cistos com mais de 4–5 cm
  • Dor intensa e refratária ao tratamento clínico
  • Infertilidade associada a fatores anatômicos corrigíveis
  • Suspeita de malignidade
  • Falhas em ciclos de reprodução assistida

Conclusão

A endometriose ovariana é uma condição que pode afetar significativamente a fertilidade e a qualidade de vida da mulher. O acompanhamento especializado é essencial para o diagnóstico adequado, escolha do tratamento e planejamento reprodutivo. A individualização da conduta, considerando sintomas, idade e desejo de engravidar, é o caminho para melhores resultados.